Pesquisas internas revelam impactos da pandemia

Desde que teve início a quarentena, em vigor desde o dia 24 de março/2020 em todos os 645 municípios do Estado de São Paulo, três pesquisas sobre o momento atual foram feitas entre os associados do ConstruSete, para avaliar os impactos da Covid-19 nas lojas. Os resultados têm sido muito úteis para direcionar as ações, nas quais todos os esforços são para mudar esse cenário recentemente instalado no setor.

Confira a evolução e os resultados:

Na primeira semana pós quarentena

A primeira semana foi de grande inércia!

Com tantas coisas inéditas acontecendo no mundo, os lojistas ficaram sem ação! A troca de mensagens, os noticiários e tudo o que pudesse ser útil foi levado em conta para tomar decisões.

Data: 2 de abril/2020

Temas abordados: Cenário antes da quarentena; Ações para se defender e o Futuro pós Covid-19

“Iniciamos um ano difícil, com expectativa de melhora para o segundo trimestre. Porém, na semana de 23 a 29 de março/2020, permanecemos com a loja totalmente fechada. Nos dias 30 e 31/03, um novo decreto municipal liberou o atendimento por telefone, WhatsApp, redes sociais e entrega de materiais. E no dia 02 de abril, foram liberados os atendimentos presenciais controlados, 4 pessoas por vez, e todas as outras medidas de segurança conforme a OMS. Torcendo para estar enganado, acredito numa queda nas vendas entre 30% e 40%!”

Nilton Geral Bettio - Alvorada (Adamantina)

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“A loja vinha com as vendas praticamente estabilizadas. Com a pandemia, umas das coisas que vi necessidade foi de trabalhar um pouco com marketing, aliás, esse foi um dos motivos do nosso ingresso no C7, para ver se conseguiríamos nos reinventar nessa questão do marketing. Acho difícil saber o resultado disso tudo que estamos vivendo, porque não sabemos ainda quanto tempo vai durar. Sei que tem muitas pessoas pior do que eu, porque só fiquei um dia com a loja fechada, o restante ficou aberta, com um movimento muito aquém daquilo que queremos. Procuro ser otimista, mas se durar muito, vai ficar difícil. Aí haja otimismo para suportar a situação”.

Edes Joaquim Rodrigues - Baratão da Construção (Araçatuba)

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“Se não fosse o Coronavírus, março teria sido o melhor mês de venda de toda a história da empresa. Estávamos com projeto de reforma da loja, fazer o CD e agora brecamos tudo! A loja está fechada desde o dia 19 de março. Estamos fazendo venda por telefone, WhatsApp, o cliente é atendido no carro. É muito difícil prever o futuro, porque estamos passando por uma situação que nunca aconteceu. Acredito que vamos ter que começar tudo de novo, em outro formato. Todos teremos prejuízos. Teremos que mudar nossos hábitos e alguns terão, inclusive, que buscar ajuda emocional”.

Marcos Cunha Vasconcelos - Bazar da Construção (Bauru)

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“Os dois primeiros meses do ano ficaram bem acima, comparados com o ano passado e muito próximos da meta para 2020. Vínhamos num crescente e ainda bem que a primeira semana de março foi muito boa, porque as semanas seguintes foram de queda. Estamos fazendo um trabalho de mídias sociais – Instagram, Facebook e ainda contato pelo WhatsApp com clientes, mas está tudo muito quieto. Para falar de futuro, será um exercício de imaginação - acredito que o mercado vai sofrer uma certa regressão e, no chute, teremos um decréscimo em torno de 30% de mercado, por um período um pouquinho extenso, até as coisas tomarem ritmo novamente e a locomotiva andar”.

Valdir Furlan - Cabana da Construção (Assis)

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“Eu já vinha fazendo um processo de ajuste, reduzindo o estoque para melhorar o fluxo de caixa. Então, essa crise me encontrou preparado. Posso suportar de 3 a 4 meses de queda no faturamento, a não ser que seja muito grande, que caia 50%. Estou mantendo o otimismo e transferindo isso para os meus funcionários. Em relação ao futuro, quero estar entre os sobreviventes e estou trabalhando para isso. Não quero estar entre os que vão morrer nem pelo Coronavírus, nem economicamente. Penso que, mesmo que diminuir, o Brasil vai continuar. Vai cair sim o movimento, mas eu vou estar entre os que irão sobreviver e vou tentar tirar a fatia de outro para me manter vivo”!

Celso Roberto Gomes - Casa do Construtor (Bastos)

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“Em janeiro não tivemos um faturamento bom, ficamos em torno de 35% abaixo da meta; fevereiro batemos a meta e março o resultado não foi expressivo, porque a venda é melhor na segunda quinzena. Então, a pandemia prejudicou bastante. A estimativa é de 40% de queda. Estou segurando as compras, para vender o que temos no estoque e reduzir custos. Acho que o mercado vai dar uma boa peneirada, poucas empresas conseguirão sobreviver com esse cenário. Como é uma coisa nova, vamos ter que tomar uma atitude toda semana ou a cada dois/três dias. É hora de comprar o mínimo possível e fazer um caixa”.

Renato Ferro - Casa Ferro (Dois Córregos)

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“Janeiro e fevereiro foram positivos. A expectativa era de que estávamos deixando para trás a crise e tudo demonstrava que o ano seria aquela virada de chave. Março também começou bem e quando começou a quarentena, já estávamos com um percentual bem acima; porém, com a loja fechada ocorreu uma freada brusca. Acabamos fechando o mês de março com uma média de 10% abaixo. O cenário futuro é bem obscuro, mas ainda tenho expectativas positivas para esse ano. O Brasil vinha dando indícios de melhora e, principalmente com a redução da Selic, o investidor tem olhado com bons olhos o mercado imobiliário. Acredito que quando o mercado retornar, será um pouco mais lento, mas recupera”.

José Eduardo da Silva Pinto - Comai (Lençóis Paulista)

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“O cenário era crescente, principalmente comparado com o mesmo período do ano passado. Estávamos animados. Pelo decreto municipal, não podemos abrir a loja, receber cliente, mesmo adotando os critérios estipulados pela OMS. Cada dia é uma novidade e tem se tornado bastante difícil saber o que fazer, como enfrentar isso e estruturar a loja pós coronavírus. No presente momento, estamos de certa forma em stand by, até porque não podemos fazer nada diferenciado. Estamos na esperança de que tudo possa melhorar”.

Diogo de Oliveira - Construfic (Avaré)

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“O cenário das 3 lojas desde o segundo semestre de 2019 era de muito otimismo. Janeiro ficou dentro das expectativas; fevereiro foi mais calmo por ter a semana do carnaval; e iniciamos bem março. Porém, no dia 15 de março, quando começaram as ‘enxurradas’ de notícias do vírus, vieram as quedas nas vendas e as incertezas. No sábado (21/03), quando o Governador anunciou o fechamento do comércio, entrei em pleno desespero, sem saber o que fazer, rezando para isso passar logo. Ficamos uma semana com as portas fechadas, tentando fazer vendas online, porém sem sucesso. Penso que muita coisa vai mudar, muita mesmo! E coisas boas vão acontecer, pois tenho fé muita fé”.

Manoel Teixeira de Freitas Júnior - Depósito Paulista (Andradina e Ilha Solteira)

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“Até início de março vinha bem, seria um mês bom, mas com a quarentena as vendas caíram em média 50%. Estamos com todos os vendedores trabalhando pelo telefone; também fizemos mídias, informando a nova forma de atendimento. Imagino um futuro incerto, não sei o que poderá vir ainda. As pessoas estão com medo, principalmente os funcionários. Espero meses difíceis pela frente, mas temos que trabalhar muito! Nós, empresários, temos que tomar a frente para passar segurança às pessoas”.

Adriano Mainente Martins - Desfran (Dracena, Três Lagoas e Panorama)

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“Até o início da quarentena, vinha com uma projeção de crescimento em torno de 5%; depois caiu bem, de 15% a 20%. Demos férias para os funcionários que estavam com férias vencidas e também para aqueles com mais de 60 anos. Também vamos focar somente produto em estoque, especialmente cerâmica, e cancelamos vários pedidos que não tinha necessidade agora. O Futuro vai depender da quarentena, acredito que ainda vai demorar para voltar no ritmo que estava. Acho que esse ano já está comprometido, com resultados de 10% a 15% menores do que foi o ano passado”.

Márcio Mainente Martins – Desfran (Presidente Venceslau)

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“Os 3 primeiros meses foram positivos em mais de 10%. Tínhamos uma perspectiva muito boa. Para administrarmos esse problema, que é muito grave, estamos equalizando contas a receber com contas a pagar – esse foi o primeiro ato. Estamos equalizando tudo, porque até março deu para cobrir essas despesas, mas em abril, como esperamos uma queda de 30% no movimento, teremos que administrar muito bem nossos custos. Será um ano muito difícil e complicado”.

Avoir Silveira Júnior (Cafu) - Madeireira Linense (Lins)

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“Esperávamos muito de 2020, principalmente do segundo semestre. Já utilizamos o banco de horas, usamos também para adiantar as férias de uma parte de equipe e sobre fluxo de caixa, renegociamos títulos com fornecedores, cancelamos algumas compras programadas e deixamos de pagar alguns impostos. Para o futuro, imagino mudança de hábito do consumidor, como ser mais conectado, sensibilizado, solidário e racional. A venda por e-commerce irá aumentar. Hoje, o varejo brasileiro vende 4,5% por e-commerce, creio que passará para mais de 10%, a curto prazo. Na China, já é em torno de 35%; na Inglaterra, 18%, e isso antes da pandemia. O consumo ao normal creio que não voltará tão cedo”.

Gustavo Macedo - Ourimadeiras (Ourinhos)

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Desde que abrimos a filial de Santa Cruz, em 2015, estávamos esperando que esse seria o nosso melhor ano. A equipe estava preparada e o mercado vinha respondendo bem. A primeira medida tem sido tentar aliviar as despesas. Em relação ao Comercial, suspendemos as compras e vamos trabalhar com o nosso estoque, que já vinha alto; estamos promovendo muita interação com os clientes nas mídias sociais, tentando desenvolver esse canal online e, para maio, vamos ver se trabalhamos com drive Thru e e-commerce. Acho que o futuro pós coronavírus vai mudar muito a forma como vendemos hoje. Não acredito que 2020 ainda tenhamos algo mais positivo; acho que isso só a partir de 2021”.

Fernando Macedo - Ourimadeiras (Santa Cruz do Rio Pardo)

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“As vendas do mês de março/2020 tinham tudo para ser o melhor mês do ano, tendo como base até o dia 20, quando foi decretada a quarentena em Botucatu. Daí em diante, as vendas ‘despencaram’. Passamos a atender somente as chamadas via fone e redes sociais; concedemos férias para 80% dos funcionários e, a partir de 30/03, seguindo um decreto estadual, ‘abrimos as portas’ e estamos trabalhando muito para ver se conseguimos arcar com os nossos compromissos. Não imagino como será! Temos uma grande preocupação já no presente, com o tamanho do ‘arraso’ que essa pandemia pode fazer”.

Luís Francisco Ramos de Andrade - Pedrinho Materiais para Construção (Botucatu)

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“O Cenário era de crescimento. Já estávamos com um acréscimo de 12% em relação a 2019. Considerando que o primeiro semestre sempre é mais fraco, estávamos muito motivados com o que aconteceria no restante do ano. Sobre o futuro, imaginamos que se tudo passar em 30/40 dias, o mercado vai voltar melhor do que começou, porque o governo está injetando dinheiro na economia e esse dinheiro vai demorar a chegar; quando chegar, talvez essa pandemia tenha passado e esses recursos irão girar na praça. Mas se a pandemia se estender, teremos demissão em massa, poucos recursos no mercado, trabalhadores sem remuneração, sem salário e sem emprego”.

Rafael Braghin - Pontal (Pirapozinho)

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“Em janeiro e fevereiro, tivemos queda; em março, até o fechamento da loja, estava em crescimento, depois houve queda acentuada. Em relação a março/2019, a queda em março/2020 foi de 10%. Considerando o primeiro trimestre de 2020 em relação a 2019, a queda foi de 8%. Estamos utilizando redes sociais e comercializando no sistema delivery e drive thru. Sobre o futuro, dependerá do tempo de duração do Coronavírus. Não tem como fazer um planejamento de longo prazo, pois estamos gerenciando contingência e temos que ter flexibilidade para nos ajustarmos a cada momento”.

José Carlos Basso - Santo Antônio (Marília)

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