• Grupo ConstruSete

Não existe cartilha, mas estamos indo bem!


“Não é fácil esse processo de sucessão! É lento e precisamos passar aos poucos todas as responsabilidades que temos diante de uma loja, que embora não seja um grande negócio, é a principal fonte de renda da família, faz parte do nosso passado, presente e futuro”. A afirmação é do associado Nilton Geraldo Bettio, da Alvorada (Adamantina/SP).

Há algum tempo ele vem trabalhando essa transição para os filhos – Janaina (38) já está no dia-a-dia da loja há oito anos, e Lucas (34), que inicialmente estava cuidando da Pecuária e hoje está mais focado no comércio. “É difícil, são muitos itens e eles têm que conhecer os vários setores, para enxergar a loja como um todo”.

A maior dificuldade de fato, e isso deve acontecer com a maioria das empresas familiares com tradição, é deixar que os sucessores tomem as decisões e ficar só assistindo. “O pai é sempre visto como aquela figura que resolve tudo, mas tenho tentado desacelerar, manter um certo distanciamento em alguns momentos, para dar espaço e deixar que eles adquiram segurança”. Esse ano, por exemplo, pela primeira vez Janaina e Lucas foram para a Revestir sozinhos. “Isso foi importante, para que eles construam seus próprios relacionamentos e escrevam suas histórias”, avalia.

Embora afirme que não existe cartilha para seguir, algumas medidas devem ser adotadas e uma delas está na capacitação, tanto teórica como prática. Por esse motivo, eles participam constantemente de cursos, treinamentos, palestras e outra coisa muito importante: “iniciaram pelo começo”.

No caso da Janaina, que chegou primeiro, muitas coisas já foram absorvidas por ela. “Em todas as campanhas, feirões etc. é ela que organiza mídia, faz reunião com equipe e faz tudo acontecer; eu só cuido dos preços dos produtos”. Bettio diz que delegou a ela a implementação do setor de presentes, que hoje tem um espaço privilegiado dentro da Alvorada. “Esta área fica totalmente nas mãos da Jana. O Lucas passou pela Expedição - coordenou a área por mais de um ano -, pelo setor de Lançamento de Notas de Entrada, conferência de Caixa e agora está começando a participar do setor de Compras, que estamos montando. O que já conseguimos identificar são as habilidades de cada um – a Jana tem um perfil mais comercial e o Lucas, mais administrativo”, observa o empresário, que já está no comando da loja há 41 anos.

Por já ter vivido esses longos anos no negócio, Bettio comenta que, se precisar, sabe executar as tarefas de todos os 30 colaboradores, mas admite que essa experiência foi adquirida com o tempo e hoje a loja está muito maior do que já foi, inclusive em termos de espaço”. Aliás, Bettio confessa que de vez em quando vai trabalhar de tênis, para dar conta de percorrer todas as áreas – vendas, depósito, expedição etc.

Em sua opinião, o processo está indo muito bem e já percebeu que a loja funciona sem a sua presença rotineira. “Eu e a Mair ficamos 15 dias viajando a passeio e deu tudo certo! Muitas vezes, nós mesmos somos culpados, porque não damos espaço para eles crescerem”.


Você sabe a diferença entre herdeiro e sucessor?

O herdeiro recebe de presente, tendo ou não talento, já o sucessor, é aquele que irá administrar técnica e profissionalmente a empresa. Claro, herdeiro e sucessor podem estar na mesma figura.

O herdeiro só deve entrar na corporação se houver vaga; terá que obedecer aos mesmos critérios praticados para a admissão de outros profissionais; e, se nesta posição é necessário inglês, o indivíduo precisa falar inglês e mais ainda, terá que receber a remuneração de qualquer profissional daquela função.

Importante: É muito difícil colocar em prática a sucessão se o filho não tiver interesse na corporação.

A sucessão na verdade é um processo. Não existe: Hoje é o dia da sucessão! O indivíduo vai entrando na empresa, assumindo responsabilidades, conhecendo o negócio, as pessoas, os clientes, fornecedores, bancos, enfim, ele já assumiu, mas em um processo.

(Fonte: Bernt Entschev, headhunter e fundador da De Bernt).





35 visualizações